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Charles, o Menino Pipoca

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Charles acordava todos os dias como se tivesse engolido um raio de sol. Pulava da cama, tropeçava no tapete, derrubava o despertador e já saía correndo pelo corredor antes mesmo de escovar os dentes.

— Charles! Devagar! — gritava sua mãe, mas era tarde demais.

CRASH! Lá se ia o vaso de plantas da sala.

BANG! Ali estava a cadeira da cozinha no chão.

PLOFT! E o gato Mingau pulava assustado para cima do armário.

Charles não fazia por mal. Era que seu corpo parecia cheio de molas, seu coração batia como um tambor de festa junina, e suas pernas... ah, suas pernas simplesmente não sabiam andar devagar!

— Você parece um milho de pipoca na panela quente! — disse seu avô um dia, rindo. — POP, POP, POP! Não para quieto nem um segundo!

E era verdade. Charles pulava, corria, girava, saltava. Na escola, a professora Dona Amélia suspirava toda vez que ele entrava na sala.

— Charles, sente-se, por favor.

Mas dois minutos depois, Charles já estava de pé novamente, mexendo em alguma coisa, ajudando alguém (mesmo sem ninguém ter pedido), ou simplesmente... não conseguindo ficar parado.

Um dia, algo diferente aconteceu.

Era sábado de manhã, e Charles acordou cheio de energia como sempre. Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus, girou pela cozinha, quase derrubou o leite, e então viu pela janela: no quintal dos vizinhos havia caixas e mais caixas empilhadas.

— Olá, Charles! — chamou Seu Joaquim, o vizinho.

— Estou me mudando e tenho tantas caixas para carregar... Mas sozinho vai demorar o dia inteiro.

Os olhos de Charles brilharam. Energia! Ele tinha muita energia! E agora sabia onde usá-la!

— Eu ajudo! Eu ajudo! — gritou Charles, pulando a cerca baixa entre os quintais.

E lá se foi Charles, carregando caixas leves, subindo e descendo, correndo de um lado para outro. Sua energia parecia infinita! Seu Joaquim mal conseguia acompanhar.

— Menino, você é rápido como um foguete!

Depois de ajudar Seu Joaquim, Charles voltou para casa ainda com energia sobrando. Sua mãe estava no jardim, suspirando para as folhas secas espalhadas por todo lado.

— Mãe! Eu varro! Deixa que eu varro!

E varreu. E juntou as folhas. E ajudou a plantar flores novas. E ainda sobrou energia para lavar o carro com seu pai à tarde.

Quando a noite chegou, Charles sentou no sofá pela primeira vez no dia. Estava cansado, mas era um cansado diferente. Um cansado bom. Um cansado feliz.

— Sabe, filho — disse seu pai, sentando ao seu lado —, você tem um dom especial. Tem mais energia que dez crianças juntas! E hoje você descobriu o segredo: quando a gente usa toda essa energia para fazer coisas boas, ela vira um superpoder.

Charles sorriu. Então ele não era uma criança bagunceira. Ele era uma criança com superpoderes!

No domingo, Charles acordou animado novamente (porque Charles sempre acordava animado). Mas dessa vez, antes de sair correndo, ele pensou: "Onde posso usar meu superpoder hoje?"

Ajudou a avó a arrumar o armário. Organizou seus brinquedos (algo que ele nunca tinha feito!). Ensinou o irmãozinho a andar de bicicleta, correndo ao lado dele pelo parque inteiro. E ainda brincou de pega-pega com as crianças da rua até o sol se pôr.

Claro que Charles ainda derrubava coisas de vez em quando. Afinal, ele ainda era o Charles, o menino pipoca, cheio de energia e vida. Mas agora ele sabia que toda aquela energia não era um problema.

Era seu superpoder.

E ele só precisava descobrir, todo dia, qual seria sua próxima missão.

FIM.

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